O Efeito das Mudanças Tecnológicas do Mundo Real na Ficção

Cena do filme
Grande parte das histórias que contamos, ficções científicas e histórias de época à parte, se passam no mundo real, e no mundo real atual. Usando elementos históricos, geográficos, culturais, e, nesse caso, acima de tudo; tecnológicos existentes hoje em dia.

Em vez de se construir um mundo completamente novo – como no “The Lord of The Rings” (O Senhor dos Anéis), ou usar tecnologias que ainda não foram inventadas ainda, como no “2001: A Space Odyssey” (2001: Uma Odisseia no Espaço).

E estava refletindo sobre como as mudanças tecnológicas do mundo real afetam o leque de possibilidades criativas do mundo da ficção. As narrativas que elas “criam” e “eliminam” – e obviamente, essas duas palavras se encontram em aspas, pois, a ficção, a priori, não depende de tais avanços ou da falta deles.

Todavia, acredito que a maioria das pessoas gostam de criar obras sobre as realidades que elas encontram e são confrontadas em seus dia-a-dias, e usar tais elementos como pano de fundo para o que elas imaginam. A arte não surge de modo desconexo do mundo. A arte é feita por pessoas como eu e você. Pessoas que acordam, vão à praia, conversam com amigos no Whatsapp, e expressam opiniões políticas no Twitter. A vida imita a arte, mas a arte imita a vida de volta. A realidade que vivemos influencia a arte que criamos. Continuar lendo O Efeito das Mudanças Tecnológicas do Mundo Real na Ficção

O Que O Fim Do Mundo Revelaria Sobre A Humanidade


Sempre acreditei que o fim do mundo seria o fenômeno mais fascinante possível dum ponto de vista sociológico, antropológico, dum ponto de vista de simplesmente observar a reação humana.

Já escrevi anteriormente sobre como a sociedade e o status quo nos colocam limites, nos fazem pensar duas vezes, e sobre como o desastre, como não ter nada a perder, pode ser libertador.

Um cenário no qual todos morreremos nos forneceria uma visão de mundo no qual todos estamos “libertos”, alforriados de nossas ressalvas. Uma situação em que a única coisa nos limitando é a nossa moral.

Quer estuprar alguém? O mundo vai acabar em 10 horas. Você não corre o risco de ser preso, não corre o risco de alguém descobrir seus atos e você ter a reputação arruinada e ser boicotado socialmente. No máximo corre o risco de sua vítima tentar resistir, mas fora isso… a sua consciência agora se faz soberana.

O mais próximo que a sociedade experimenta duma situação como essa, duma ausência de restrições, talvez seja o drama de pessoas com doenças terminais, que sabem que vão morrer em questão de meses. Todavia, pode-se argumentar que mesmo alguém em tais circunstâncias ainda tem algo a perder. Nem que seja a simples reputação dela que será recordada nos jornais, livros, e acima de tudo, na memória das outras pessoas que seguem vivendo. Logo, há algo a perder. Aliás, não é incomum pessoas influentes tomarem fortes precauções visando assegurar que um fato sobre elas não seja revelado mesmo após sua morte.

É uma situação interessante e que difere de cenários apocalípticos como o de The Walking Dead e “28 Days Later” (Extermínio), no qual ainda há uma chance, há uma esperança. Se você apenas tiver suprimentos, ou tiver um abrigo seguro, você pode continuar vivo. Você ainda pode ter algo a perder.

Distintamente, um cenário duma destruição de todo o planeta, é rodeado por uma desesperança e por um niilismo intrínseco. O mundo se faz um grande Titanic, e não há botes salva-vidas. Há apenas… “esperar o navio afundar”. Você não precisa matar ninguém por suprimentos. Não precisa fugir, não precisa correr.

E tudo isso levanta questões profundas:

Como devo viver os últimos dias da humanidade? Devo ainda me ater a meus valores morais? Devo me suicidar pouco tempo antes tomando remédios para não sofrer por alguns segundos ou frações de segundos enquanto uma tempestade de fogo varre meu corpo, ou talvez para não sofrer o stress psicológico? Se eu tiver filhos, devo matá-los antes? Ou devo perguntar para eles se eles querem ser “poupados do sofrimento” (leia-se: mortos)? Devo dizer a verdade a eles sobre o que está acontecendo com o mundo ou entregar-lhes ignorância?

Recentemente assisti um dos melhores filmes de fim do mundo, “These Final Hours” (Aquelas Horas Finais), uma obra fenomenal, que toca em ambas essas questões. Outro filme que você precisa assistir sobre esse tema, este sendo mais conhecido, “Seeking a Friend for the End of the World” (Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo), com o lendário Steve Carell.

Por último, sou obrigado a recomendar o magistral vídeo do “The Dictionary of Obscure Sorrows”, sabiamente intitulado “Lachesism: Longing for the Clarity of Disaster” (Lachesism: O Ansiar Pela Clareza do Desastre), que expressa esse sentimento dum fascínio pelo que o desastre revelaria sobre o mundo de modo mais poético do que eu jamais poderia expressar.

Diário: 21/03/2017 – As Razões Pela Qual Escrevo Sobre o Futuro


Acho que passo tanto tempo refletindo e teorizando a respeito do futuro – e perdoem-me, sei que posso ser um tanto repetitivo quanto a isso – é porque… bem, em primeiro lugar, escrevo, de modo geral, porque é assim que entendo e compreendo o mundo ao meu redor. E porque guardar aquilo dentro de mim me levaria a uma grande angústia.

Mas acredito que há uma motivação extra em relação a esse tema que merece uma atenção especial. E isto é, talvez eu possua alguma espécie de esperança de que os futuros arqueólogos da internet num longínquo futuro encontrem as coisas que escrevi e digam:

“Nossa, caramba, ele simplesmente entendeu. Ele sacou. Ele viu o que estava por vir. Ele compreendeu o efeito profundo que as tecnologias que surgiriam décadas após sua vida teriam na civilização humana, e sobre como elas mudariam fundamentalmente a existência, redefinindo o próprio conceito de ser humano.

E ele passou tempo refletindo sobre os impactos socioculturais de tais inventos. Como alguém no começo do século 20 imaginando, e teorizando, e refletindo sobre o impacto que o Youtube e as demais redes sociais teriam no conteúdo de ‘pessoas famosas’, criando categorias como ‘celebridades anônimas’. Pessoas com milhões de seguidores que você nunca viu na sua vida.

E ele imaginou esse mundo antes dele existir, e ele chegou em algo próximo do que realmente existiu, caramba! Tal como Asimov prevendo o impacto que a internet teria na vida humana, ele entendeu!”

About Sex: Fantasias Sexuais Impossíveis De Serem Realizadas


“Fantasias querem ser realizadas, é como a lei da gravidade querendo levar tudo abaixo; essa é a natureza delas.”

Parafilias e fetiches nos envolvem em maravilhosas fantasias que daríamos um braço para realizar. Em muitos aspectos, no caso da parafilia, ela é uma sexualidade própria.

Quem acompanha esse humilde blog acompanha meus dilemas e anseios e frustrações e relatos de sexualidades moralmente questionáveis, sabe que boa parte das coisas que fantasio são simplesmente fisicamente impossíveis de serem realizadas – são ficção científica erótica – precisaria de algo como realidade virtual imersiva para conseguir torná-las verdade.

Fantasias como abordo no meu texto de fetiche de troca de corpo, e de modo mais abrangente no texto sobre fetiche de transformação.

E eu estava pensando em como é lidar com isso, em possuir um fetiche que existe unicamente no ramo da imaginação. Que você jamais será capaz de torná-lo real. E… é complicado, às vezes. É como se você fosse atraído por mulheres num mundo onde elas não existem.

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A América Nunca Foi Grande

Não resta-me dúvida alguma de que os melhores dias da humanidade estão ainda pela frente. A América nunca foi grande. O Império Romano nunca foi grande. Nenhum reinando ou nação foi verdadeiramente grandioso algum dia, como os saudosistas do passado pregam. Eles utopizam algo que nunca realmente foi.

O passado, repleto de pobreza, violência, desigualdades cruéis, e a lista segue; ele nunca foi grande. Nunca permitiu a maioria das pessoas viver à altura de seus respectivos potenciais. Ao contrário de tentarmos voltar para algum lugar utópico, que no fundo nunca esteve lá, e que no máximo foi bom apenas para um pequeno grupo de pessoas, devemos buscar um futuro verdadeiramente grande. Para todos os homens e mulheres. Onde todos possam viver a altura de seus sonhos.

O Conceito da TV ao Longo da História e o Futuro Dela


Já escrevi anteriormente falando a respeito da TV, os dois textos sendo “A Internet e os Meios de Distribuição de Conteúdo/Informação” e o “Sky, Netflix e a Experiência de Assistir TV”. Mas, como este é um assunto que realmente me fascina, e como acho que posso ser mais didático, e também creio que elaborei melhor meus pensamentos sobre esta questão neste passar de tempo, resolvi abordar novamente sobre este tema.

O conceito de TV mudou bastante ao longo do tempo, em muitos aspectos houve uma fragmentação dele, pois até então “tudo era uma coisa só”. Quando a televisão surge, ela era ao mesmo tempo um aparelho que transmitia imagens (um monitor), uma determinada tecnologia pelo qual a imagem chegava até esse monitor (satélite, cabo, etc) e uma “experiência sócio cultural de consumo de conteúdo” (que foi moldada devido às limitações técnicas), uma mídia. A “experiência clássica de assistir TV”.

Este último talvez sendo o mais complexo de explicar, mas resumidamente isso se refere a própria natureza de como as pessoas consomem informação naquela mídia, em como a TV, como um formato, funciona.

A transmissão de TV é simultânea e coletiva, todos os telespectadores daquele canal estão assistindo aquilo ao mesmo tempo, não existe opção de avançar o “Jornal Nacional”, enquanto ele está sendo exibido ao vivo. Não há a opção de avançar um episódio do “Game of Thrones” enquanto ele está sendo transmitido pela primeira vez.

Diferente do que acontece com a Netflix ao lançar uma nova temporada do “House of Cards”, num “binge-watching model”, no qual você pode pular para o último episódio da temporada logo que ela é liberada e cada um faz seu ritmo e no qual, de modo geral, é uma experiência muito mais dispersa e assincrônica.

Outras características da experiência social de assistir TV e da própria natureza da mídia é que: sempre está passando algo, seja as 6 da tarde ou as 3 da manhã, e esse algo que está passando é a mesma coisa para todas as pessoas que estão assistindo aquele canal naquele momento. E eu diria que essa é a essência da TV, ela é um live-streaming simultâneo transmitido para um grande número de pessoas. Continuar lendo O Conceito da TV ao Longo da História e o Futuro Dela