Quando sua baby girl vai à loja comprar fralda

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Adorei essa foto dessa baby girl que vivi no Japão com o daddy dela. É tão adorável ver uma mulher usando esse macacão jeans curtinho e com esse cabelo maria-chiquinha.

Não é uma típica figura de um visual “menininha”, como um vestidinho de casamento, sapatilha e meia-calça branca (que eu também amo de paixão, aliás), mas fica uma representação de uma menina “moleca”, que usa essa roupinha pra poder brincar a vontade, mas sem abrir mão do lado “princesinha” dela.

Talvez seja apenas impressão minha, mas esse “look” tem muito a cara meninas se vestiam nos anos 90. Enfim, segue o link para a postagem original.

Diário: 21/09/16

Queria poder falar… tipo, quando você sai de manhã eu tento não fazer barulho. Porque, tipo, eu não quero que você pense “puxa, eu ralando aqui e esse vagabundozinho passa a noite inteira na internet”… O que é verdade. Sei que você não deve pensar assim, mas talvez no fundo ache, e com razão, injusto esse arranjo. Pensa, se eles ajudassem… sobraria mais dinheiro meu para eu comprar coisas que gosto e tal. E você tá certo e eu não tenho argumentos, só vergonha.

Queria falar sobre quão “trigger”, quão alarmado eu fico quando vocês falam sobre algumas notícias envolvendo travestis, transexuais e identidade de gênero. E que às vezes fico um pouco triste com opiniões, não vou dizer preconceituosas, mas pouco progressistas suas. Mas não é nem pela opinião esse desconforto, aliás, é só por mencionar o assunto. Às vezes até tapo os ouvidos pra não ouvir.

Às vezes também queria pedir algo, algum produto, mas fico com receio de vocês mandarem eu ir trabalhar. Digo, não é a mesma coisa, mas sempre que rolava alguma discussão, essa era a primeira carta a ser jogada; a minha vagabundagem. Algo como “ah, ele fez algo que não gostamos, como podemos punir ele? Vamos mandar ele ir trabalhar”. Não dizendo que toda vez que me mandavam ir trabalhar foi com essa intenção, muitas não foram. Mas como diz o ditado “gato escaldado…”

E mesmo que pedisse, tipo, nós somos pobres. Eu estaria gastando dinheiro que poderia estar sendo usado para coisas mais importantes. Como sou um vagabundo tento não pedir muita coisa, só algumas comidas.

Até quando vamos lembrar?


Até quando vamos lembrar? Acho que até morrermos. E nossos filhos morrerem, e os filhos deles, e os filhos dos filhos deles e por aí vai. Até que as lembranças estejam dissipadas por entre gerações num rio de tempo, se tornando uma espécie de abstração distinta que tanto encontramos nos livros de história. Só então poderemos dizer que “paramos de lembrar”. Quando as lembranças se tornam tragédias e glórias genéricas das gerações de outrora. Quando paramos de conhecer seus zeitgeists, seus espíritos do tempo. Quando as recordações são tão velhas e distintas que… não são mais nossas.

Eu

A Indústria da Internet


Memes: Antigamente e Agora

Estava refletindo a respeito da internet… e de como ela virou “business demais”, de como ela virou uma indústria como todas as outras, e sobre como isso se reflete em comparação com os velhos tempos.

Digo, hoje em dia você vê um viral e em seguida descobre que ele era uma campanha de publicidade. Você vê um post no “Não Salvo” e acaba descobrindo que ele foi patrocinado. Atualmente é difícil saber se um meme foi algo “espontâneo” ou se ele foi cuidadosamente planejado e criado por agências de publicidade.

Quando a internet era vista como “coisa de criança e adolescentes desocupados” pelo mundo comercial, pelos CEOs de 70 anos da Vale do Rio Doce, de certa maneira, acho que havia uma autenticidade maior. Porque as pessoas postavam o que postavam, e o que virava viral simplesmente era porque tinha sido algo “espontâneo”, ou, pelo menos, os usuários alfas que divulgaram aquilo, não o fizeram por dinheiro.

Basicamente, a internet virou uma indústria. Exatamente o que aconteceu com a TV, com a diferença que todo mundo pode ter um canalzinho no Youtube. Só que é claro que você tem os “Grandes Canais de TV”, os grandes vlogs, as grandes páginas e perfis do Facebook, os grandes perfis do Twitter que cobram centenas de milhares de dólares por uma mensagem de 140 caracteres.

E é claro, ainda há essas “bolhas” que não necessariamente fazem as coisas para divulgá-las como propaganda, especialmente sites pequenos, e os chans da vida. E de fato, ocasionalmente até mesmo algo que surgiu num desses ambientes pode vir a se tornar algo mainstream. Afinal, não estou querendo afirmar que todo viral foi feito por agências de publicidades.

Nós também notamos isso na marketização dos memes. Mesmo quando algo surge como um meme de modo “espontâneo” (até onde sabemos)“Senhora, volta aqui senhora”aquilo é comercializado, parodiado, transformado num produto para vender automóveis. Aliás, memes permitem que grandes empresas transmitam uma imagem de “jovem e descolada” utilizando elementos da cultura pop sem pagar um centavo de copyright para ninguém.

Não sei, talvez seja uma nostalgia dos “tempos de antigamente”. Quero dizer talvez isto não seja nem um problema de fato, é só que… hoje em dia, muitas vezes, você está vendo algo que só fez sucesso porque algum usuário alfa foi pago pra divulgá-lo.

Embora, novamente, talvez nada seja espontâneo. Digo, certamente se a internet não fosse comercial da maneira como é hoje, ainda sim você teria um pequeno grupo de pessoas divulgando algo. Os ditos usuários alfa, os criadores de tendência existem mesmo em ambientes onde o fator comercial não é tão relevante. Nas escolas, que sempre surge aquele grupinho dos descolados e tal.

Porque essa coisa de influência, de ser alguém com uma voz de alcance muito grande…. é algo que é inerente às relações humanas. E que portanto, mesmo se tirássemos o dinheiro da equação, é algo que aconteceria na internet, tal como no mundo real, ainda que por outros motivos.

Contudo, esses “outros motivos”, por alguma razão, ainda me soam mais honestos do que… fazer memes para vender produtos. Talvez seja apenas uma veia anticapitalista minha, vai saber…

The Past Is Wikipedized

The past is sacralized, it is closed, edited, contained in itself. Completed. It’s “wikipedized”, transformed into an article with a beginning, middle and end. You see 70 years old movies and know exactly how the life of each of those actors involved turned out. You know their tragedies and loves, know their misfortunes and the dates at which their children were born. A story of a lifetime just a click away.

And you, from the top of your present, look them with a certain condescendingly corner smile, with an air of a false omniscience, something like “Oh, how naive and fool they were. Living unknowing of their future misfortunes and glories.” You see them as you will be seen decades and centuries from now.

A life concluded. Finished.

Adaptação, Design e Tradução Automática


Gif mostrando a página inicial do Facebook em diferentes idiomas.

Hoje em dia fala-se muito a respeito de “machine translation” (tradução automática), por “tradução” aqui entenda: tornar disponível conteúdos e plataformas em linguagens que eles não foram produzidos originalmente.

Inclusive, eu mesmo já escrevi bastante a respeito de tradução textual aqui no blog, e é um assunto que é devidamente debatido entre o meio acadêmico e na grande mídia de modo geral. Justamente devido a imensa dificuldade técnica de traduzir palavras e conceitos linguísticos de um idioma para o outro acaba-se ofuscando um pouco outros aspectos da tradução.

Digo, quando se fala nesse assunto geralmente só se leva em conta uma tradução textual, não levando em consideração uma “tradução”, uma adaptação, do layout, design e padrões estéticos de um determinado site ou plataforma para outra cultura. Uma tradução visual, por assim dizer.

Mecanismos como Google Translator e outros se restringem a apenas pegar uma página de internet e substituir as partes do HTML que contenham as palavras em idioma X com as do idioma Y.

Porém, é claro, isso ignora profundas diferenças na concepção de design de diferentes culturas. Por exemplo, algo bem simples: em línguas como árabe e hebreu lê-se da direita para a esquerda, portanto todo posicionamento da página deveria ser alterado. Se você realmente espera uma tradução de uma mídia para outra língua essas diferenças em design precisam ser levadas em conta.

Infelizmente, hoje em dia nem mesmo essa adaptação mais rústica e simples de, por exemplo, reajustá-la ou reorganizá-la de modo adequado, é realizada. Como podemos notar na tradução acima do site chinês 163 que apresenta sérios problemas na organização do layout da página e em relação a fonte tipográfica na qual a página é exibida no alfabeto latino após a transliteração.

Ainda há o problema de botões da página, como notamos na parte superior no canto direito da página, na qual o texto de um botão não é traduzido, porque se tratava de uma imagem. Para solucionar problemas como esse seria necessário o uso de visão computacional, similar ao que usamos em nossos celulares para traduzir placas e cartazes no mundo real quando vistas a partir das telas de celulares.


Diferenças no layout de um artigo na Wikipédia inglesa e na Wikipédia árabe.

Esse exemplo mencionado acima ainda é relativamente simples, até mesmo um algoritmo atual conseguiria, por exemplo, adaptar um artigo da Wikipédia para que quando ele fosse traduzido do árabe para o inglês ou vice-versa o posicionamento dos elementos, menus e barras fossem invertidos. Isso seria simples de se fazer por ela ser uma página com bilhões de visitantes e que possui diretrizes e padrões de layout bem estabelecidos (o que por sua vez facilita criar um algoritmo que adapte elementos visuais de uma cultura para a outra). O mesmo pode se dizer em relação a plataformas como Facebook, que, inclusive, faz um trabalho muito bom adaptando o layout e experiência de usuário de sua plataforma para diferentes línguas e culturas.



Diferença entre o site de notícias UOL e o portal chinês QQ.

Não é exatamente o intuito do texto mas creio que valeria a pena se discutir rapidamente os motivos pelo qual essa distinção tão grande ocorre. E isso, obviamente, inclui vários fatores, tal como: as próprias diferenças gramaticais inatas entre os dois idiomas, por exemplo, não existem letras maiúsculas nem espaços no chinês. Também não há textos itálicos em tal língua.

Tem de se levar em consideração também outros gostos estéticos e de design. Do mesmo modo que se você for até uma típica casa japonesa ou saudita, você vai notar que elas possuem uma diferença na decoração e arquitetura, como vocês podem notar nessa publicação ilustrando os variados estilos arquitetônicos de casas ao redor do mundo. Essas diferenças nos layouts virtuais são apenas um reflexo das do mundo real.
Famosa rua japonesa Dōtonbori, cercada por outdoors.

Por exemplo, alguns argumentam que os sites chineses e japoneses possuem uma densidade de informação tão grande, em parte, devido ao fato de muitas metrópoles asiáticas serem como as da foto acima.

Também, é claro, há de se levar em consideração influências culturais do ocidente. Digo, japonês e chinês possuem similaridades gramáticais e alfabéticas relativamente similares, no entanto, sites japoneses possuem uma semelhança muito maior com os do ocidente. O que acredito que tenha ocorrido devido ao fato do Japão ter sido muito mais influenciado por conceitos ocidentais, e isso portanto incluindo noções de design, do que a China. O que certamente tem a ver com a questão da política isolacionista do país até os anos 60 e 70.

E por último há talvez de se levar em consideração, no caso em específico da China, que é o maior país do mundo, é um país onde absoluta maioria das pessoas acessam a internet através de celulares, então, talvez haja uma questão de limitação na largura de banda e outros aspectos mais técnicos. Enfim…


Acredito que podemos traçar um paralelo entre a situação apresentada aqui e os dilemas em relação a adaptações de referências em traduções de filmes e séries.

Digo, não está “errado” se você, por exemplo, decidir manter o layout original, com as barras e elementos visuais invertidos, de uma plataforma. Do mesmo modo que não está “errado” você manter uma referência original na dublagem de um filme.

Porém, muitas vezes soa estranho num primeiro momento e você tem dificuldade de entender a referência se não estiver imerso naquela cultura. E acredito que esse é o ponto em questão. Isso me lembra certa vez que estava assistindo ao filme “Lost in Translation” (Encontros e Desencontros) dublado em português, e o personagem, que seria entrevistado por um apresentador de TV famoso do Japão diz:

“Ele é o Jô Soares do Japão.”

Na fala original ele se referia ao apresentador americano Johnny Carson que, obviamente, a maioria dos brasileiros não iria conhecer e portanto não entenderiam a referência. Sei que talvez isso pareça um problema “bobo”, até pouco importante em relação a questões talvez mais relevantes, como a dificuldade de aperfeiçoar traduções realizadas por computadores. Porém, é algo que mesmo assim, creio eu, merece uma profunda consideração.

Acredito que essa adaptação visual e estética mais aprimorada se faz necessária em grande parte das aplicações e plataformas. Embora, é óbvio, dependendo da situação em certos projetos mais específicos deveríamos nos ater mais ao conceito original do autor. Me perdoem se essas duas coisas soarem um tanto contraditórias, mas acredito que tenha dado para entender. Isso, aliás, acaba entrando na questão sobre a filosofia de alterar uma determinada obra de arte (e creio que uma página de internet, o layout de um aplicativo ou plataforma é, de certo modo, uma expressão artística de seu criador), que menciono no post “A Filosofia da Restauração de Arte”.

Caso você se interesse por esse tema, em relação a como poderíamos utilizar algoritmos e inteligência artificial para facilitar essa adaptação automática de design, eu disserto profundamente sobre isso no meu texto “A Automatização da Parte “Técnica” da Arte: O Uso de Inteligência Artificial na Criação Artística”.

Mas, resumidamente, muitos desses problemas não precisariam de uma ferramenta de “adaptação automática de design”, sites como a Wikipédia e certos blogs e páginas com menos opções nele seriam relativamente mais fáceis, acredito. Por outro lado, portais de notícias com muitas sessões, links e ferramentas, como os dois sites chineses mencionados acima, certamente precisariam de um nível maior de IA para adaptá-los.

Para concluir deixo a seguinte imagem que, creio eu, ilustra de forma muito boa o símbolo de uma internacionalização de uma identidade visual que tanto se faz necessário nesse mundo globalizado.

Fontes:

• Arabic, Japanese, and Chinese Layouts in User Interface and User Experience Design (Artigo interessante falando sobre como adaptar o layout de uma plataforma ou aplicativo para uma outra língua)

• Global by Design – Creating a world-ready web design – UX Magazine (Artigo dando dicas de como criar um design mais global para sua plataforma)

Why does Chinese web design look so ‘busy’?Why does Chinese web design look so ‘busy’ – Part two – Econsultancy e “Why Is Chinese Web Design So Bad?” (Artigos falando sobre as diferenças dos sites chineses e do porquê eles são assim).

Can You Name The Brands Behind These 20 Translated Logos (Artigo interessante mostrando diferentes logos de multinacionais adaptados para diferentes países e culturas)

Visual Translation: A New Way to Design a Chinese Typeface Based on a Existing Latin Typeface (Artigo a respeito da internacionalização de logos de grandes empresas e de transliteração de fontes tipográficas latinas para fontes tipográficas chinesas)

Você não interagiu muito com as pessoas, não é?

– Você não interagiu muito com as pessoas, não é?
– Não muito…

Talvez fosse o excesso de bebida ou seus não pouco ocasionais usos de cocaína, mas meu primo havia dito e perguntado sinceramente o que deve se passar na cabeça de boa parte daqueles que me veem: esse cara é estranho, ele “é de fora”, ele é desconectado da realidade, ele é um eremita. Alguém que viveu o mundo através de livros, observações e testemunhos indiretos, ele próprio testemunhando muito pouco.

Um blog sobre transhumanismo, filosofia, taras… e niilismos ocasionais.